ARTIGO

Fisioterapia no processo de recuperação do Cancro

Dez 11, 2024


O cancro da mama é a forma de cancro mais diagnosticado em mulheres, sendo responsável por 1 em cada 4 diagnósticos anuais de cancro em todo o mundo. Em Portugal, são detetados cerca de 9000 novos casos anuais


Fisioterapia e o Cancro da Mama

O cancro da mama é considerado um problema de saúde pública, e apesar de não ser o tipo de cancro mais letal, tem um grande impacto na nossa sociedade pois é cada vez mais frequente, e afeta um órgão que tem um grande simbolismo, associado à maternidade e à feminilidade.

A fisioterapia no processo de recuperação do cancro da mama é fundamental não só para devolver funcionalidade ao braço (prevenindo algumas complicações como linfedema, dores, aderências de cicatrizes) assim como ajudar a recuperar a autoestima e uma boa auto imagem, que muitas vezes fica destruída e para segundo plano, pois o objetivo principal de cada doente é a sobrevivência.

Assim, a intervenção da fisioterapia no cancro da mama foca-se a recuperar funcionalidade do membro afetado, prevenir ou diminuir o linfedema secundário, recuperar massa muscular, devolver amplitudes de movimento através de trabalho funcional do membro afetado, mobilização tecidual e de cicatrizes com o objetivo existir um retorno ao exercício, aumentando não só a funcionalidade do braço como a autoconfiança da mulher, e a sua qualidade de vida.

Cada vez mais se fala que alterações no nosso estilo de vida são a melhor forma de prevenção e controlo do cancro da mama. Fatores como a alimentação e a atividade física são fundamentais para a reabilitação e redução do risco de recidiva. Pesquisas sobre a atividade física durante e após o tratamento mostram que o exercício físico pode melhorar a qualidade de vida e os resultados clínicos. As diretrizes atuais recomendam mais de 150 minutos de atividade física moderada por semana, sendo importante incluir exercícios de fortalecimento muscular pelos benefícios que têm para a saúde em geral.

O exercício físico orientado por um fisioterapeuta é importante na recuperação funcional, devolvendo funcionalidade ao/s braço/s, reintroduzindo exercícios de forma gradual sem o risco de agravar ou desenvolver linfedema, compensações ou dor.

A auto imagem nestas mulheres é muitas vezes esquecida, mas é um dos principais problemas referidos pelas sobrevivente de cancro da mama. O facto de estarem limitadas sobre o que vestir, de que forma a roupa pode ou não revelar alguma cicatriz ou acentuar alguma assimetria entre as mamas pode ter um impacto negativo na sua saúde mental e na sua vida social. Desta forma a fisioterapia no cancro da mama pretende não apenas atuar na mobilidade do braço, mas sim em todas estas áreas que podem estar a limitar a vida destas mulheres, passando assim por trabalho funcional do membro afetado (ganho de amplitudes e força muscular), prevenção ou tratamento de linfedema, mobilização tecidual e de cicatrizes e retorno ao exercício, aumentando não só a sua funcionalidade como a sua autoconfiança e melhorando a sua qualidade de vida.

Autoria: Carina Lopes | Ordem dos Fisioterapeutas nº1723